quarta-feira, dezembro 08, 2010

Anfitrião há 11 anos, Harlei anseia por taça e diz que não se vê fora do Goiás


Depois de 11 anos no Goiás, Harlei faz do uniforme verde a referência para se sentir em casa e ser um bom anfitrião. Até mesmo quando está longe de Goiânia e se encontra em Buenos Aires, o goleiro de 38 anos recebe os torcedores, dá autógrafos, tira fotos, conversa com dirigentes. Na expectativa de conquistar o título mais importante de sua carreira nesta quarta-feira, contra o Independiente, em Avellaneda, o ídolo esmeraldino conversou com o GLOBOESPORTE.COM sobre o frio na barriga pela final da Copa Sul-Americana e sobre a tristeza do rebaixamento para a Série B do Brasileiro. E revelou também que, mesmo com o contrato se encerrando em dezembro próximo, ainda não foi procurado pela diretoria, mas não se vê vestindo outra camisa que não seja a do Goiás. Confira a entrevista com o homem que pode levantar o troféu de sua vida em poucas horas.

GLOBOESPORTE.COM: A 90 minutos de poder ser campeão, como está você e o grupo para esta decisão? Mais ansiosos ainda porque a queda para a Série B aumentou a responsabilidade de todos?

Harlei: Tivemos um ano ruim e sem dúvida que isso aumenta a expectativa. O título de maior expressão do clube é o Campeonato Brasileiro da Série B. E essa expectativa realmente tem tomado conta não só de mim, mas de todo o grupo. Tenho sentido grande poder de concentração, vontade de todos de o jogo começar. Lógico que os mais novos e até os mais experientes sentem o frio na barriga, mas não tem ninguém tenso.

Você já ganhou outros títulos internacionais, mas era reserva (no Cruzeiro). A primeira taça como dono do gol é para não esquecer jamais?

Eu era reserva do Dida na Libertadores, fomos campeões em 97, tenho também duas Supercopas dos Campeões da Libertadores de 91 e 92, quando já era do profissional. Mas jogando é a minha primeira decisão internacional,e a mais importante da minha carreira caso aconteça o título. Estou muito próximo de completar 39 anos no início de 2011, tenho quase 700 jogos com a camisa do clube e 11 anos e meio de Goiás. Realmente jogando e sendo campeão o sentimento tende a ser diferente.

Você sempre brinca que chegou a Goiás para ficar seis meses e está há 11 anos. Por que escolheu ficar tanto tempo no Esmeraldino?

Quando cheguei no estado de Goiás fui para o Vila Nova com um contrato de seis meses, prorrogado por mais seis, mas saí brigado, houve problemas de não pagamento de salário. E veio o convite do Goiás, que me abriu as portas quando eu estava passando por um momento muito dificil com essa briga jurídica e desacreditado como profissional até por algumas pessoas da minha família. Sou muito grato ao Goiás, que abriu as portas para que eu tivesse uma carreira muito legal. Nunca quis deixar o clube porque você só sai de um lugar quando está infeliz, e tive 11 anos e meio de pura felicidade. Mesmo no ano em que vem o rebaixamento há a oportunidade de uma alegria imensa.

Mas você já balançou com alguma proposta boa nestes 11 anos?

Teve uma primeira proposta em 2004 do Santos, depois uma do Corinthians, e ambas foram as que mais mexeram como Goiás, que tinha direito a receber uma multa e podia precisar do dinheiro. Mas mexer diretamente comigo não, sou muito tranquilo sobre isso. Agora chegando mais ao fim da carreira, embora queira jogar por mais algumas temporadas, eu não me vejo vestindo outra camisa que não seja do Goiás.

Como está o processo de renovação de contrato?

Eu tenho meu contrato encerrando agora em dezembro, não tenho ainda a proposta de renovação, não sentei com a diretoria do Goiás, mas dizer que me vejo fora do clube não dá. Pode até acontecer, sou profissional e preciso continuar meu trabalho. Mas eu não consigo me enxergar nesta situação. Acho que a diretoria não quis conversar justamente para não tirar o foco dessa reta decisiva. Se tiver que ter algum acerto não deve durar mais do que dez, 20 minutos. Sempre foi assim.

Por quanto tempo pretende jogar ainda?

Pelo menos mais duas temporadas, no mínimo. Sei que quanto mais o futebol vai ficando competitivo e veloz, a vida útil do atleta vai ser menor. O desgaste aumenta, a competitividade também, os atritos de articulações... Mas se o atleta seguir a profissão rigorosamente, dormir cedo, comer bem, gostar do que faz, como eu sempre fiz, tem tudo para ter uma carreira longa.

O que deu tão errado para que o time fosse rebaixado no Brasileiro?

Foi uma soma de problemas. O grupo não se encaixou como deveria. É uma situação que você precisa que toda a engrenagem funcione e tem que montar uma estrutura para que as coisas aconteçam de forma positiva, mas não foi o que aconteceu. Tivemos muitas brigas políticas, tivemos o comando de um presidente (Syd de Oliveira) que alem de não entender de futebol foi trazendo pessoas que nao acrescentaram nada, pelo contrário, atrapalharam. Esse foi o grande problema do Goiás. A diretoria (do presidente Hailé Pinheiro) que assumiu não, essa honrou todos os compromissos, botou salários em dia, premiações, passou a confiança pro grupo. Infelizmente já era tarde para salvar o time do rebaixamento. Mas sei que o Goiás tem tudo para voltar à Série A já no próximo ano.

O rebaixamento foi a maior tristeza da sua carreira? Teve alguma outra história que te fez lamentar?

Essa foi a maior tristeza. Tinha uma pena de doping que cumpri em 2003 e até hoje não sei de onde saiu a medicação, porque ela veio na minha urina e em taxa tão elevada. De todo jeito estava com a mão operada e não poderia jogar, mas não gostaria de ter essa mancha jamais. O fato me deixou muito triste por saber que ainda é possível, entre aspas, porque não conseguimos provar nada, qualquer tipo de sabotagem. Mas o rebaixamento foi ainda mais triste. Quando cheguei, o Goiás estava na Série B, e fiz parte da campanha que levou o time à elite. Não quera jamais ter passado por esse rebaixamento.

O que o técnico Artur Neto tem que os antecessores não tiveram?

O Artur conseguiu equilibrar mais rápido o time do que os outros treinadores. Ele colocou o seu estilo de jogo, e foi um quebra-cabeça bem montado. E nossa equipe, que nao jogava bem, passou a ser altamente competitiva, muito dura de ser batida, e que joga um futebol muito firme.

Além da glória do título, a premiação em caso de triunfo é ainda mais motivante?

A premiação de R$ 1 milhão e meio oferecida pela diretoria já foi paga em parte por causa da conquista da semifinal e o resto vem se conseguirmos o título. Mas os benefícios que cada jogador terá na carreira com a conquista serão muito maiores do que qualquer premiação.

Fonte:globoesporte.com

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